O primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou que os bancos portugueses estão em melhores condições do que a maioria dos bancos europeus e que não há problemas com o sistema financeiro português
«Gostava de dizer aos portugueses que os bancos portugueses se encontram em melhores circunstâncias que a generalidade dos bancos europeus, sobretudo em países que apresentaram maiores dificuldades», afirmou Passos Coelho à saída da cerimónia de aniversário da Associação Industrial Portuguesa (AIP). «Não temos nenhum problema com o nosso sistema financeiro, ao contrário do que aconteceu com outros países na Europa».
O discurso optimista continuou:
«De acordo com as auditorias que tiveram lugar e que se desenvolveram no âmbito do programa de assistência económica e financeira, chegou-se à conclusão de que as necessidades de recapitalização dos bancos portugueses são inferiores às de muitos outros bancos em países europeus.»
Dados que significam para Passos Coelho o seguinte: «Quer o processo de recapitalização que eles próprios estão a desenvolver, quer o facto de Portugal dispor de 12 mil milhões de euros de financiamento público para essa recapitalização, caso seja necessário, permite-me dizer a todos os portugueses que não temos nenhum problema com o nosso sistema financeiro, ao contrário do que aconteceu com outros países na Europa.»
O primeiro ministro defendeu que os bancos portugueses apresentaram resultados negativos por dois motivos: devido à transferência dos fundos de pensões da banca para o Estado português e, «evidentemente, em resultado da situação que se tem vivido e que penaliza também, ao contrário do que muitas vezes se pensa, os próprios bancos».
Mais uma vez Passos Coelho referiu que o seu Governo está a fazer de tudo ao seu alcance para Portugal não pedir um segundo resgate, salientando que as notícias que afirmam o contrário surge como uma pressão do mercado secundário.
«Esse mercado é extremamente ilíquido, quer dizer, a maior parte das vezes não tem sequer transacções, pelo que não tem grande significado o facto de as yields [juros] terem subido excessivamente na sequencia desse anúncio da Standard and Poor’s e, em particular, das especulações sobre o que vai acontecer ou não com o financiamento da Grécia.»
No entanto, Passos Coelho disse que, «caso alguma coisa de mal ocorra, na Grécia ou noutro país», o apoio a Portugal «será tanto maior» quanto «mais sucesso» apresentar no cumprimento do programa.
O primeiro-ministro criticou ainda «todos aqueles que hoje em Portugal, sobretudo à esquerda, vem insistindo que é preciso reestruturar a dívida e renegociar a dívida», porque «isso significaria, que a austeridade e os sacrifícios que o país precisaria de fazer seriam ainda maiores».
- Clique Iniciar Sessão ou registar-se para colocar comentários
