Noite de renovação de votos mútuos de apreço e dedicação da banda belga mais querida dos portugueses que esgotaram a sala da Aula Magna para novo grande concerto dos dEUS.
Ao fim de uns bons quinze anos de regulares visitas a Portugal, podemos dizer que dEUS pode não estar em todo o lado mas passa muito tempo por cá. E percebe-se bem porquê ao participar numa das celebrações ao vivo da sua música: banda motivada, público rendido e entregue do primeiro ao último minuto do concerto. Podia ser só mais um daqueles fenómenos de adoração sem muito sentido mas há elementos válidos que explicam esta harmonia entre plateia e palco.
Os dEUS cativaram muito deste público na década de 90 com canções que fizeram dos seus discos objectos de culto para a chamada imensa minoria, que teve na saudosa rádio XFM o porto de abrigo para conhecer novos horizontes alternativos da música. Souberam manter a chama continuando a editar discos e, sobretudo, a dar concertos intensos fazendo mesmo das visitas a Portugal um hábito na sua carreira.
Na Aula Magna muita dessa imensa minoria agora perto da casa dos 40 anos e que facilmente esgota uma sala destas porque tem a certeza que dá por bem empregue o seu dinheiro para ver uma banda que nunca desilude.
Por seu lado, o vocalista e líder Tom Barman faz-se valer da sua reputação e consegue aquilo que poucos conseguem neste espaço. Convencer o povo a não se sentar um minuto e teve toda a plateia de pé todo o concerto. Só ao alcance de alguns.
Depois, as canções da discografia dos dEUS têm uma força muito especial quando tocadas ao vivo especialmente num ambiente de celebração. Mesmo as mais recentes de «Keep You Close», disco editado no ano passado, são recebidas com agrado.
Já contando com este mais recente, a verdade é que os belgas têm seis discos de onde conseguem tirar com facilidade um grande alinhamento e ainda deixam a salivar os fãs por mais.
Quando a viagem faz escala em «In a Bar Under The Sea», de 1996, como foi o caso de «Theme From Turnpike», «Little Arithmetics» ou «Fell off the Floor, Man» há um imediato clique na nossa mente que nos transporta para o auge dos anos 90 e para os dias, lá está, da XFM. Chegamos à conclusão que estas canções vivem connosco há muito tempo e lembram-nos tempos bons, evocam a memória de mestres como António Sérgio, e dão vontade de ir ouvir este e outros discos daquela altura.
Canções que têm este mágico poder de nos fazer abstrair do frio invernoso que está lá fora e da tristeza de notícias que marcam a nossa realidade só podem ser muito boas. Uma banda que as sabe dignificar em palco ao longo da sua carreira só pode ser uma boa banda. Por tudo isto é que dEUS em Portugal é mais do que um concerto, é uma necessidade de convívio para nós e para eles.
É voltarem em breve porque ficou a vontade de ouvir «For The Roses» ou «Disappointed in The Sun», por exemplo.
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